ex-capas II
sobre ex-capas
O resgate de Ex-capas I não estabelece uma continuidade lógica para Ex-capas II. Aqui as experiências se concentram no suporte.
Encontramos num “meli-melo” achados, vandalismo gratuito valorizado pela própria gratuidade, ironia, satirizo, absurdo inteligente, racionalidade estúpida.
Sobre, dentro, debaixo, ao lado, com, em volta, além; é a estrutura num todo que se avalia, discute, lapidada, quebrada, desestruturada, reestruturada.
Entre ou a favor: estrutura e suporte; o livro esta. A meu ver sempre com a perspectiva de uma homenagem, agora mais ampla, mais larga, mais estabelecida.
O conteúdo do livro é hoje mais presente, ele é mais comentado numa terceira dimensão, felizmente, tanto arbitraria como suspeita.
O livro, e as suas letras..., aquelas do nosso alfabeto, deslocadas, emergentes de um profundo oceano, como as mões de pré-afogados, letras que não são palavras, palavras sem garrafas num oceano congelado. O grito do não lido, do não visto explode. São os membros da maquina que saem maquina membrana, dedos mões, braços... Pouco importe.O fazedor passa a ser elemento do feito. Como flores ressecadas os membros saem. O suporte se revela então como matéria, e é ali que Eric compõe com si mesmo, com Ex-capas I.
Essas Capas são mesmo EX?
Frederic Petitdemange
2005
Ex-capas II e o livro-arte
Nesta mostra intitulada Ex-Capas II, Eric Collette nos faz sentir que a experiência humana do faze e do pensar pode tornar-se sentimento das coisas no nascedouro. Trata-se da experiência captada como sentimento do mundo a partir dos processos de interpretações da realidade. E nesses processos há convergências. Quem já escreveu um livro saberá que, nestes trabalhos, Eric imagina o andamento da escrita e da leitura tangenciadas como experiências produtivas que trazem ao mundo novos seres. Esses novos seres se revelam partes de um universo que antecede e ultrapassa capas e páginas dos livros que conhecemos. Para dar vida a estes livros o artista escorcha a matéria. Vai ao interior dos livros para trazê-los ao campo da tridimensionalidade desejosa de uma quarta dimensão. Através de cortes, recortes, inserções e de outros recursos transformacionais, Eric elabora possibilidades de uma “escrita” e de uma “leitura” sempre renovadas.
Nos livros concebidos pelo artista subsiste um livro imaginado ex-capas. E, dando origem a uma “biblioteca” de volumes em constante transformações, subjaz um livro-arte que se mostra arquétipo das imagens que nascem antes e depois das palavras. Este livro encarna o anterior e o posterior, bem como o avesso das capas traduzindo a experiência estética das coisas que ainda não são livro, e contando estórias de um primeiro livro em que cada um de nós se torna personagem. Movimento. Procura. Sondagem. Achados. E perdidos. Desenhos. E intervenção da ordem das coisas em estado de mudança. E nessa intervenção o livro-arte de Eric Collette desencadeia uma escrita e uma leitura das coisas em estado latente. Mas essa latência se revela e se inicia nas entranhas do papel visitado como matéria-prima de um drama a se encenado pelo manuseio que o concebe tátil. Tal fosse o papel a própria escrita e a própria leitura do mundo realizando-se pelas mãos do artista e do “leitor”, vivendo estórias que podem ser vistas e tocadas numa cena viva – sempre em processo de gestação e mudança.
Miriam de Carvalho












